Gilberto Gil vende 50% dos direitos de seu catálogo musical; entenda

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Gilberto Gil vende 50% dos direitos de seu catálogo musical; entenda
Gilberto Gil vende 50% dos direitos de seu catálogo musical; entenda (Foto: Reprodução)

A iniciativa pretende ampliar o legado do artista e abrir caminho para novas parcerias internacionais

O cantor e compositor Gilberto Gil negociou a venda de 50% dos direitos de seu catálogo musical para a empresa americana Primary Wave, especializada em aquisição e gestão de direitos autorais. A operação envolve um dos acervos mais relevantes da música brasileira, com cerca de 800 canções, 40 álbuns de estúdio e aproximadamente dois mil fonogramas: incluindo regravações, registros ao vivo e participações especiais.

A transação ocorreu no início do ano de 2026 e foi considerada por executivos do setor como uma das mais relevantes do mercado musical da América do Sul. A Primary Wave, que recentemente adquiriu o catálogo de Britney Spears por cerca de US$ 200 milhões, também administra obras de nomes como Bob Marley, Prince, James Brown e a banda The Doors.

Em entrevista ao jornal O Globo, Jason Eliasen, COO e CFO da companhia, destacou que o acordo com Gilberto Gil vai além de uma negociação financeira. “Gil já tem um consumo internacional, mas a ideia é criar mais projetos internacionais. Por exemplo, a Primary Wave tem o catálogo do Bob Marley. Imagina fazer uma parceria entre Gil e os filhos do Bob Marley? A ideia aqui é muito mais sobre o legado, e o Gil tem um legado incrível”, afirmou.

A estratégia da empresa é atuar como sócia dos artistas, mantendo parte dos direitos com o próprio criador. No Brasil, a operação foi viabilizada em parceria com a Nas Nuvens, editora fundada no Rio de Janeiro por Gilberto Gil e pelo produtor musical Liminha nos anos 1980. A sede da companhia, que já abrigou o consulado holandês no Brasil, tornou-se ao longo das décadas um polo estratégico para a administração do repertório do artista.

“A gente gosta de comprar uma parte do catálogo e deixar a outra com o artista, porque aí a gente entra como sócio, parceiro do artista”, explicou Eliasen ao veículo. O modelo busca potencializar novas oportunidades comerciais, sincronizações em filmes e séries, relançamentos e colaborações globais.

A relação entre Gil e Liminha atravessa décadas e vai além do campo empresarial. Os dois já dividiram projetos musicais e consolidaram uma parceria criativa marcada por experimentação e diversidade sonora. Em entrevista, Liminha ressaltou a dimensão cultural do amigo e sócio: destacou o vasto conhecimento de Gil sobre nomes como Luiz Gonzaga, João Gilberto e Jackson do Pandeiro, além da música da Bahia e da bossa nova.

Com a venda parcial do catálogo, Gilberto Gil passa a dividir a gestão de sua obra com a Primary Wave, que atuará na administração e na prospecção de novos projetos no mercado internacional. O acordo prevê a ampliação de estratégias de licenciamento, sincronização e parcerias fora do Brasil, mantendo parte dos direitos sob controle do artista e de seus sócios.

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